Venerável Mestre, um professor de ética
Vamos refletir já que a escolha será sempre nossa!
Quando da escolha do Venerável Mestre os irmãos têm por hábito escolher o mais carismático, ou o mais assíduo, ou o mais antigo, etc., o que constitui um equívoco muito grande.
Faz parte dos nossos costumes que periodicamente (1 ou 2 anos) as lojas elegerem as suas respectivas administrações. Nesse momento, às vezes a vaidade, a cobiça e o egoísmo, de uma minoria, se sobrepõe à razão, quando, por outro lado, deveríamos todos, estar em perfeita sintonia e com um único sentimento, o do bem estar da Loja, o nosso pequeno mundo, do qual o Venerável é o Sol.
Conforme consta do Ritual de Instalação e Posse, todos os Maçons devem conceber que, como em toda organização social a natureza de nossa Instituição e a constituição de nossas lojas são feitas de modo que enquanto uns governam e ensinam, os outros aprendem e obedecem voltados para a ordem, a hierarquia e o progresso, sendo a modéstia e a tolerância, para uns e outros, requisitos essenciais a boa marcha dos trabalhos. Assim sendo, torna-se necessário que os irmãos, periodicamente, façam uma reflexão para que melhor possam compreender a responsabilidade atribuída ao Venerável Mestre, e auxiliá-lo, como Chefe de uma Loja Maçônica, eis que dele depende a honra e a reputação da oficina.
Venerável Mestre não é simplesmente o título conferido ao Presidente de uma Loja Maçônica, como possam pensar alguns irmãos. Numa Loja Maçônica o Venerável adquire a complementação de “Mestre”, porque, em tese, é aquele que, pela sabedoria, pode dirigir orientar e decidir, com absoluta independência, preso apenas aos preceitos legais e aos rituais.
É pelos motivos supracitados que o exercício de tão nobre cargo em certa época já foi vitalício. Na época atual, pela sua importância, há que ser escolhido e eleito, para o cargo, um irmão conhecedor da sistemática maçônica, além do preenchimento dos pressupostos explícitos de elegibilidade harmonizados na legislação competente.
Apesar da Assembléia de Mestres, dos Poderes Constituídos (Executivo, Legislativo e Judiciário), ainda é o Venerável Mestre o principal órgão, autônomo e soberano da Administração da Loja, só se curvando à Lei e, desta forma, cabendo-lhe a representação da Oficina junto ao Poder Civil e à Grande Loja. Por tudo isso o Venerável Mestre deve ser dotado de boa oratória, sem retórica vã, e de fácil discernimento. O Venerável Mestre, pelas várias situações que se apresentam no transcorrer do mandato, e os que já desempenharam tão honroso cargo sabe muito bem, deve possuir como requisito implícito do cargo, sem elitismo ou discriminação, condição estável profissional, financeira e familiar.
O Venerável Mestre deve ser moderado, discreto, prudente, tolerante, humilde e sereno. Deve, pela retidão de conduta, servir de exemplo para os Obreiros da Loja. Deve ser líder nato; o verdadeiro líder não faz comandado, faz seguidores. Deve tratar os irmãos de forma imparcial, com delicadeza e brandura, sem precisar fazer uso da força de sua autoridade para demonstrar que ela é sagrada e inviolável. Deve ser digno para exigir de todos a fiel obediência aos sublimes Princípios da Fraternidade, sem extrapolar em firmeza, energia e equilíbrio.
São todos estes requisitos que determinam que a escolha do Venerável Mestre não deve recair sobre aquele que deseja veementemente e de forma imoderada a posse do cargo, e sim, sobre aquele Irmão cujo nome emerge espontaneamente do seio da Loja, por vontade desinteressada e fraterna.
São todos estes requisitos que determinam que o cargo de Venerável Mestre tem que ser digno de veneração, e o seu ocupante merecedor de grande consideração, respeito e acatamento.
“Honrai a todos. Amai a Fraternidade. Temei a Deus. Honrai ao Rei.” (Pedro – I Epístola, Cap. 2. Ver. 17).
Honrar é venerar. Honra é sentimento de dignidade moral que faz agir de modo a conservar a própria estima e merecer a dos outros.
Venerável Mestre, professor de ética
A importância da educação é um tema amplamente debatido nas universidades e instituições de ensino do país. Mas a educação para a vida, outra linha de raciocínio da formação humana, pode ser a solução para que as pessoas encontrem-se consigo mesmas. Para Sócrates, o filósofo grego, o ser humano só se realiza como pessoa quando se volta para o seu interior. Já Augusto Comte, pensador francês, diz: “Toda educação humana deve preparar cada um a viver para os outros”. Viver bem com o outro é o objetivo do sistema pedagógico da maçonaria. Por isso ela adotou o lema iluminista de Liberdade, Igualdade e Fraternidade.
Como a felicidade é uma busca constante do ser humano, os homens e mulheres de bem são imprescindíveis para a formação da cidadania. Formar pessoas, com base nos princípios cristãos, é tão importante quanto a educação acadêmica. O conhecimento pode diminuir a ignorância do homem, mas a ética na relação com o outro sublima o ser humano.
E é por aí que os comunicadores devem gastar os seus neurônios: para tornar as pessoas melhores do que são. Porque é sempre possível aperfeiçoá-las. Mesmo que seja só na comunicação familiar, como na relação de pais e filho, até a comunicação com uma multidão de pessoas. Como acontece nos grandes meios de comunicação. A televisão, por exemplo, atinge milhões, até bilhões, de pessoas num só evento. Nas Olimpíadas de Pequim, em 2008, e na posse do presidente americano Barack Obama, no início de 2009, essas imagens chegaram, ao mesmo tempo, a todos os cantos do globo. A questão principal é: que tipo de mensagem os grandes meios de comunicação passa à população?
Percebam, no caso da televisão, o impacto da informação. Sendo boa ou ruim ela chega a muitas pessoas. Quando a informação é negativa ela destrói o processo de educação para o bem. Existe, por outro lado, a apologia da ignorância. Isso acende o sinal de alerta dos professores que trabalham para que a beleza do espírito humano prevaleça sobre as trevas. Parece bacana dizer que alguém chegou a uma posição de destaque na vida política, social, artística e econômica sem ter curso superior. Isso apenas demonstra o poder de superação destas pessoas, mas não pode, jamais, substituir a educação como meta do esclarecimento e do conhecimento. O mau uso da informação, como neste exemplo, arrasta outras pessoas para a ignorância. Porque o conhecimento é um dos aspectos vitais para a sobrevivência da espécie humana.
Por essa causa devemos refletir sobre o nosso papel no mundo atual, globalizado. Somos, individualmente, responsáveis pelo que pensamos e falamos. Devemos melhorar o nível de conhecimento e da ética do bem comum não só na educação familiar: Também no púlpito ou no altar e das igrejas; Na literatura; Ou nas manifestações artísticas e culturais.
A mídia (impressa, rádio, televisão, internet e outros meios de comunicação) também é responsável pela formação moral das pessoas. Se, por exemplo, um programa de televisão não ajuda na boa formação dos jovens é melhor mudar de canal ou desligar a televisão.
Até na hora de se divertir é interessante observar para que a diversão seja saudável, do ponto de vista ético. Sem esses pressupostos, o canal da informação é inadequado. O silêncio do rádio ou da televisão, às vezes, é melhor do que a desinformação. Nem nas salas de aulas das universidades a ética está a salvo. O ensino superior, em boa parte, privilegia o ensino para o mercado de trabalho em prejuízo do conhecimento e da pesquisa.
Outras vezes o professor conhece a matéria, mas não está preparado para ensinar. Talvez lhe falte uma formação acadêmica baseada nos valores éticos da família. Na maioria das pessoas, a quem cabe encaminhar outras para o viver ético, percebe-se ou os interesses escusos ou a falta de conteúdo na filosofia do bem. Devemos, sim, ajudar o outro a dissipar as trevas da ignorância retirando cuidadosamente cada uma de suas vendas. Um dos símbolos mais fortes da maçonaria é a venda, símbolo da ignorância. Mesmo para retirá-la é preciso preparar o adepto do bem para um período adverso, que pode cegar o neófito depois da Luz. A maçonaria ensina que a virtude é luz no caminho do homem.
Neste aspecto Platão e Aristóteles influenciaram muito o pensamento maçônico construído por Anderson e Mackey, os primeiros codificadores da maçonaira. Platão criou um sistema de ensino para formar sábios e encontrar a virtude. Aristóteles ensinou, por meio de suas principais obras, a política e ética, como meios para se obter a virtude.
A professora Carlota Boto, da Universidade de São Paulo – USP – diz: “Em suas reflexões sobre ética, Aristóteles afirma que o propósito da vida humana é a obtenção do que ele chama de vida boa. Isso significa ao mesmo tempo vida ‘do bem’ e vida harmoniosa”. A ética maçônica é o princípio do bem comum. Sendo assim, o Venerável Mestre assume seu cargo para formar novos cidadãos e assim deve conduzir as suas ações. Sem vaidades e subterfúgios na busca do belo e do melhor para os outros.
A missão do Mestre da Loja é a mais importante da maçonaria. Ele transmite o conteúdo maçônico a quem está começando na maçonaria e firma, para os mestres, os conceitos éticos. Os rituais são ferramentas fundamentais para direcionar o trabalho intra e extra loja. Por eles o Venerável educa e instrui aos maçons para uma vida eticamente edificada sob as colunas do bem comum.


ostado por Bethel #14 Aurora Milenar às 15:59 0 comentários
Posse do Capítulo Obreiros do Irajá;
Dia 29 /O5 houve a posse do capítulo obreiros do irajá , junto com a comemoração do aniversário de 15 anos do capítulo;
tenho que dizer que foi uma das mais belas posses que já vimos , haviam muitos membros de maioridade , em número que é dificil de se encontrar. Estavam quase todas as gestões presentes!
teve a presença do tio José Maria que junto ao tio Mansur Fundou a ordem demolay no Brasil.
em resumo , foi muito emocionante ! Agradecemos o carinho dos primos do capítulo!