• Independência ou Morte

    Pedro Americo.imagem

    O Grito do Ipiranga – Pedro Américo (1888)


    Espera-se que esta contribuição sirva para que possamos esclarecer alguns pontos que causaram e ainda causam confusão, até os dias de hoje.
    Esta não é mais que um conjunto de matérias, sobre a nossa Independência, a maçonaria e a sociedade da época.

    O momento é o de desmistificar alguns traços impingidos como história, na mente dos maçons, procurando extrair os fatos das lendas apresentadas como verdades históricas.

    Este artigo insere-se nesse movimento e espera-se que tenha auxiliado a esclarecer um pedaço da controversa história da Independência do Brasil. Que outros venham a aprofundar, mais e mais, o nosso profundo acervo cultural.

    “A História da nossa independência está intimamente ligada com a Fundação do Grande Oriente do Brasil, Obediência Mater da Maçonaria Brasileira.”

    Os maçons do GOB possuem um acervo inestimável de documentos históricos que exigem uma apuração mais aprimorada para esclarecer vários pontos, ainda obscuros, sobre a nossa independência. Está surgindo uma nova geração de maçons historiadores que poderão seguir o acervo deixado por José Castellani e tantos outros que engrandecem as pesquisas históricas maçônicas no Brasil contemporâneo.

    SETE DE SETEMBRO

    O Sete de Setembro somente começou a ser feriado nacional oficial a partir do Decreto nº 1285 de 30 de novembro de 1853 quando se inicia o processo de montagem do imaginário coletivo sobre a independência num país tão pobre de ícones cívicos, tanto monárquicos quanto republicanos.

    A história universal descreve com propriedade, diversos fatos importantes nos movimentos de emancipação dos povos em todo o continente e que, só foi possível acontecer com a participação direta da Maçonaria ou, isoladamente, por Maçons proeminentes.

    Dentre os momentos importantes brasileiros, podemos destacar a Independência do Brasil. Para comentar os fatos históricos que culminaram com a Independência, devemos citar os Maçons ilustres: José Bonifácio de Andrade e Silva e Joaquim Gonçalves Ledo, este considerado como o Maçon Brasileiro mais importante de sua época.

    Existem três correntes que disputam a vitória da conquista da Independência:
    1ª) Mais respeitável: Coube a José Bonifácio a principal função no movimento separatista;
    2ª) O Sete de Setembro nada mais foi do que o resultado de um esforço espontâneo popular generalizado.
    3ª) Reconhecem um novo patriarca – Joaquim Gonçalves Ledo, que foi fortemente ajudado pelos Irmãos José Clemente Pereira, Hipólito José da Costa,  livrando o Brasil do jugo opressivo da Metrópole Lisboeta.

    Uma corrente de origem na Revolução Francesa, na época, resolveu criar:
    A) Maçonaria Vermelha – Seu principal gestor Gonçalves Ledo tendência monarquista, hoje Grande Oriente do Brasil;
    B) Maçonaria Azul ligada a José Bonifácio e D. Pedro,Ordem Simbólica,tendência republicana, hoje, Grandes Lojas.

    Diz-se que até 1821 Andrada não queria a Independência, cabendo a Gonçalves Ledo incorporar-se ao movimento separatista, dirigindo-o nas tribunas, no jornalismo e nas Assembléias Secretas Maçônicas, contudo até 3 de junho de 1822, Ledo não era independentista como já era o velho Andrada.

    A disputa pela supremacia era grande, em 13 de maio de 1822, Gonçalves Ledo aliciou D. Pedro I, oferecendo-lhe o título de “Defensor Perpétuo do Brasil” e em 2 de agosto de 1822 D. Pedro I, ingressava na Maçonaria por proposta de José Bonifácio e 3 dias depois com o nome de Ir.: Guatimozim, D. Pedro I recebeu o grau de Mestre conferido pela Loja Simbólica Comércio e Artes e em 22 de setembro , por manobra de Gonçalves Ledo, D. Pedro I era aclamado Grão Mestre do Grande Oriente Brasiliano, substituindo a José Bonifácio. Logo após, instalou-se a Monarquia Constitucional, dividida em dois grupos: Liberais – Gonçalves Ledo e Conservadores – José Bonifácio. Prevaleceu o grupo de José Bonifácio, com o rompimento das duas facções, seguindo-se com O fechamento do Grande Oriente e perseguição ao grupo de Gonçalves Ledo.

    O primeiro passo oficial da Maçonaria na Independência foi em 9 de janeiro de 1822, o Dia do Fico, quando D.Pedro I se fixou no Brasil, fato aliás muito propalado na época.

    Segundo os anais da história o “Dia do Maçon” 20 de agosto, foi escolhido “in memoriam” a 20 de agosto de 1822, quando em reunião conjunta das lojas “Comércio e Artes” e “União e  Tranqüilidade” em Niterói, Gonçalves Ledo em um discurso inflamado fez sentir a necessidade de proclamar-se a Independência do Brasil, aprovada por todos os presentes e ratificada por D. Pedro I,e em 7 de setembro de 1822, num gesto que a história registra proclamava a Independência do Brasil, publicamente às margens do Rio Ipiranga, junto à colina, em São Paulo.

    Uma imagem 66 anos depois

    A primeira aproximação pictográfica que temos com a Independência do Brasil acontece como deve ser, nos livros de escola, quando vemos a pintura de Pedro Américo, “O Grito do Ipiranga”, elaborada em 1888, já no final do Segundo Reinado.

    D. Pedro II foi educado pelos melhores professores brasileiros e era estimulado por seu tutor, José Bonifácio de Andrada e Silva, a travar contato com as artes e os artistas de seu tempo. A isto somado o fato da força do cultivo do café na lavoura brasileira, o Segundo Reinado no Brasil foi bastante próspero e trouxe muitos avanços em arte e cultura.

    D. Pedro II foi o maior incentivador da cultura e da arte na história do Brasil. Pedro Américo, subvencionado pelo Império, estudou na Europa e, a pedido do Imperador, pintou várias obras. Destaque para “O Grito do Ipiranga”, de 1888.

    O fato de o quadro datar de 66 anos após os eventos protagonizados pelo pai do Imperador, D. Pedro I, não deve toldar o nosso raciocínio.

    Antecedentes

    A Independência foi fermentada num longo processo. Napoleão Bonaparte liderava a Revolução Burguesa na Europa, num tempo em que Portugal era refém econômico da grande potência da época, a Inglaterra. Com o avanço inexorável de tropas napoleônicas a Portugal, a Inglaterra enviou tropas e navios, tanto para combater Napoleão quanto para escoltar a Família Real para o Brasil em 1808.

    Muitos historiadores enfatizam o momento da transferência da Família real para o Brasil como o marco do início de todo o processo de Independência em relação a Portugal. Alguns preferem a expressão “emancipação política”, dada a dependência crônica em relação ao grande capital estrangeiro. Naquela época, Inglaterra. Hoje, EUA.

    No Brasil D. João VI começa a esboçar o arcabouço de uma Nação Soberana, com um Banco próprio, o Banco do Brasil, fundado no momento de sua chegada, 1808, a assinatura de Tratados de Comércio com as Nações Amigas, etc. No Congresso de Viena, em 1815, ocorre a Elevação do Brasil a Reino Unido a Portugal e Algarves, com o rei D. João VI residindo aqui. O Brasil, formalmente, não era mais uma Colônia, mas um Reino Unido. Em torno deste tema gira todo o processo de Independência em relação a Portugal.

    As cortes, comandadas pela burguesia portuguesa, eram compostas por homens levados ao poder no processo conhecido como Revolução do Porto: afirmavam a autonomia política de Portugal em relação à Inglaterra mas desejavam avidamente levar novamente o Brasil ao estatuto de Colônia.

    O movimento de ruptura com as cortes em Portugal já estava fermentando na mente de D. João VI quando foi forçado a voltar para lá em 1821 após a deposição dos ingleses pelas cortes de Lisboa na Revolução do Porto. Percebendo os ânimos daqueles que começavam a orgulhar-se em chamar-se de BRASILEIROS deixou D. Pedro como Príncipe Regente e recomendou: “Pedro, se o Brasil se separar, antes seja para ti, que me hás de respeitar, do que para algum desses aventureiros”.

    José Bonifácio de Andrada e Silva

    Em dezembro de 1821 chega ao Rio de Janeiro uma ordem das cortes a D. Pedro. Deveria ele abolir a regência e regressar imediatamente a Portugal. Resignado, começa a fazer os preparativos para o regresso quando a onda de indignação dos brasileiros se faz notória.
    José Bonifácio de Andrada e Silva, na condição de membro destacado do governo provisório de São Paulo, envia uma carta a D. Pedro. Nela criticava duramente a decisão das Cortes de Lisboa e chamava a sua atenção para o importante papel reservado ao príncipe nesse momento de crise.

    Aquela carta foi publicada na Gazeta do Rio de 8 de janeiro de 1822, com grande repercussão. Dez dias depois, chegou ao Rio uma comitiva paulista, integrada por José Bonifácio, para entregar ao príncipe a representação paulista. Nesse mesmo dia, D. Pedro nomeou José Bonifácio ministro do Reino e dos Estrangeiros, cargo que este resolveu aceitar depois da insistência do próprio príncipe. Essa nomeação tinha um forte significado simbólico: pela primeira vez o cargo era ocupado por um brasileiro.

    Empossado no cargo de ministro do Reino e de Estrangeiros, em janeiro de 1822, Bonifácio logo conquistou, para a causa emancipadora, os representantes da Áustria e da Inglaterra. Além disso, ordenou ao Chanceler-Mor (cargo que corresponde, hoje, ao de ministro da Justiça) que não publicasse lei alguma, vinda de Portugal, sem primeiro submetê-la a apreciação do príncipe; nomeou um cônsul brasileiro para Londres, declarando, ao Gabinete inglês, que só tal funcionário poderia, então, liberar navios que se destinassem ao Brasil; enviou emissários às Províncias do norte, a fim de congregá-los para a causa da independência, avisando que teriam que se sujeitar à regência de D. Pedro e não às ordens que recebessem de Lisboa.

    As Províncias do norte estavam ao lado das Cortes portuguesas e executando o decreto 124, de 29 de setembro de 1821; principalmente, no Maranhão, o que fez com que José Bonifácio, em ofício à Junta de Governo daquela Província, dissesse, ironicamente, que não era de se esperar que o Maranhão tivesse “a aparente e fastigiosa idéia de ser considerada província daquele reino (Portugal)”.

    O Brasil, àquela altura dos acontecimentos, não podia continuar fragmentado e José Bonifácio estava enfrentando a tarefa hercúlea de reunir as Províncias, unindo o país em torno de uma idéia política, que era a monarquia constitucional parlamentar. No dizer de Tito Lívio Ferreira e Manoel Rodrigues Ferreira, “sob esse ponto de vista, ele é, legitimamente, o campeão da unidade do Brasil”.

    Sempre ativo, aliciou conspiradores em Pernambuco, no Maranhão, no Rio Grande do Norte, na Bahia e no Pará, para que se rebelassem, na hora exata, contra a metrópole que o ludibriara, traindo o acordo do Reino Unido de Portugal e do Brasil; em junho de 1822, reorganizou o erário, por intermédio de seu irmão, Martim Francisco, e, em julho, formou uma nova Armada, contratando, para a obra de construção da Marinha de Guerra, o marujo e aventureiro lorde Cochrane. Importante ainda a presença de Gonçalves Ledo, que angariou os fundos necessários para fortalecer a Armada.

    Levou D. Pedro a conquistar a simpatia das populações de Minas e de São Paulo, forçando-o a viajar, pois, dizia ele, “o Brasil não é o Rio de Janeiro”. Quando os decretos vindos de Portugal anulavam, sumariamente, todos os atos da regência, ele, habilmente aliado a D. Leopoldina, escreve a D. Pedro, jurando que, de Portugal, o humilham: “De Portugal não temos a esperar senão escravidão e horrores.

    Venha V. A. Real o quanto antes e decida-se; porque irresoluções e medidas de água morna, à vista desse inimigo que não nos poupa para nada servem – e um momento perdido é uma desgraça”. Com isso, instigava o príncipe a se rebelar, combatendo as suas hesitações e desânimos.

    Hoje estão disponíveis – inclusive na Internet – os documentos comprobatórios de que os acontecimentos de 7 de setembro foram premeditados e conduzidos por José Bonifácio.

    O 7 de Setembro em documentos

    Em fins de agosto, a Maçonaria no Brasil se organizava e enviava emissários como Antônio de Menezes Vasconcellos Drummond que, chegando de Pernambuco para onde fora comissionado por José Bonifácio, traz informações e cartas inquietantes. As Cortes em Lisboa chamando o Príncipe de “rapazinho” ordenam seu imediato regresso e ainda o aprisionamento de Bonifácio.

    Encontra-se no magistério muitos professores que preferem minimizar (ou mesmo ridicularizar) os fatos que tiveram lugar às margens do Ipiranga naquela data.

    A documentação comprobatória é muito extensa e está à disposição do pesquisador. Cito aqui, a título de exemplo, a carta do Padre Belchior, de 1896, mencionada por José Castellani em sua página e que diz, em seus pontos principais, o seguinte:
    “O príncipe mandou-me ler alto as cartas trazidas por Paulo Bregaro e Antônio Cordeiro. (…) D. Pedro, tremendo de raiva, arrancou de minhas mãos os papéis e, amarrotando-os, pisou-os e deixou-os na relva.

    Eu os apanhei e guardei. Depois, abotoando-se e compondo a fardeta – pois vinha de quebrar o corpo à margem do riacho do Ipiranga, agoniado por uma disenteria, com dores, que apanhara em Santos – virou-se para mim e disse:
    - E agora, padre Belchior?
    E eu respondi prontamente:
    - Se V.A. não se faz rei do Brasil, será prisioneiro das Cortes e talvez deserdado por elas. Não há outro caminho, senão a independência e a separação.

    D. Pedro caminhou alguns passos, silenciosamente, acompanhado por mim, Cordeiro, Bregaro, Carlota e outros, em direção aos nossos animais, que se achavam à beira da estrada.

    De repente estacou-se, já no meio da estrada, dizendo-me:
    - Padre Belchior, eles o querem, terão a sua conta. As Cortes me perseguem, chamam-me, com desprezo, de rapazinho e brasileiro. Pois verão agora o quanto vale o rapazinho. De hoje em diante estão quebradas as nossas relações: nada mais quero do governo português e proclamo o Brasil para sempre separado de Portugal!

    (…) E arrancando do chapéu o laço azul e branco, decretado pelas Cortes, como símbolo na nação portuguesa, atirou-o ao chão, dizendo:
    - Laço fora, soldados! Viva a independência, a liberdade, a separação do Brasil.

    (…) O príncipe desembainhou a espada, no que foi acompanhado pelos militares; os paisanos tiraram os chapéus. E D. Pedro disse:
    - Pelo meu sangue, pela minha honra, pelo meu Deus, juro fazer a liberdade do Brasil.

    (…) Firmou-se nos arreios, esporeou sua bela besta baia e galopou seguido de seu séquito, em direção a São Paulo, onde foi hospedado pelo brigadeiro Jordão, capitão Antônio da Silva Prado e outros, que fizeram milagres para contentar o príncipe.

    Mal apeara da besta, D. Pedro ordenou ao seu ajudante de ordens que fosse às pressas ao ourives Lessa e mandasse fazer um dístico em ouro, com as palavras “Independência ou Morte”, para ser colocado no braço, por um laço de fita verde e amarela. E com ele apareceu no espetáculo, onde foi chamado o rei do Brasil, pelo meu querido amigo alferes Aquino e pelo padre Ildefonso…

    D. Pedro e a Maçonaria

    A ata da nona sessão do Grande Oriente do Brasil – Assembléia Geral – realizada no 13º dia do 5º mês maçônico do Ano da Verdadeira Luz 5822 (2 de agosto de 1822), consta ter o Grão – Mestre da Ordem, conselheiro José Bonifácio de Andrada e Silva, proposto a iniciação de Sua Alteza D. Pedro de Alcântara.

    E que, “aceita a proposta com unânime aplauso, e aprovada por aclamação geral, foi imediata e convenientemente comunicada ao mesmo proposto, que se dignando aceitá-la, compareceu logo na mesma sessão e sendo também logo iniciado no primeiro grau na forma regular e prescrita na liturgia, prestou o juramento da Ordem e adotou o nome heróico de Guatimozin”. Na décima sessão, realizada a 5 de agosto, Guatimozin recebeu o grau de Mestre Maçom.

    A ata da 14ª sessão – Assembléia Geral – do Grande Oriente Brasílico, fundado a 17 de junho de 1822, fechado a 25 de outubro do mesmo ano, pelo seu Grão – Mestre, D. Pedro I, e reinstalado como Grande Oriente do Brasil, em 1831, foi publicada, junto com outras, no Boletim Oficial do Grande Oriente do Brasil, Nº 10, de outubro de 1874, no Ano III da publicação (criada em 1872).

    Daquela ata, consta que a Assembléia decidiu ser imperiosa a proclamação da independência e da realeza constitucional, na pessoa de D. Pedro. Mostra, também, que o dia da sessão, 20º dia do 6º mês maçônico do Ano da Verdadeira Luz de 5822, era o dia 9 de setembro.

    Isso porque o Grande Oriente utilizava, na época, um calendário equinocial, muito próximo do calendário hebraico, situando o início do ano maçônico no dia 21 de março (equinócio de outono, no hemisfério Sul) e acrescentando 4000 aos anos da Era Vulgar. Desta maneira, o 6º mês maçônico tinha início a 21 de agosto e o seu 20º dia era, portanto, 9 de setembro, como situa o Boletim de 1874.

    Portanto, não é procedente supor que a data da Assembléia tenha sido 20 de agosto (dia do Maçom no Brasil), tampouco se deve minimizar o fato de que a Maçonaria atuava viva e ativamente na direção da independência, particularmente através do Grão Mestre José Bonifácio e do Primeiro Vigilante, Ledo Ivo.

    O fato existiu – temos a ata – e é digno de ser lembrado e comemorado por todos os maçons, mesmo porque não era possível, no dia 9, os obreiros terem conhecimento dos fatos do dia 7, dados os escassos recursos de comunicação da época. Mas não a ponto de falsear a verdade histórica, quer por ufanismo, quer por desconhecimento.

    A VERDADEIRA DATA DA INDEPENDÊNCIA DO BRASIL

    O intuito não é o de demolir a data do Sete de Setembro, quando se comemora a Independência do Brasil – data magna da nacionalidade, em um país pobre de símbolos nacionais.

    Busca-se, no entanto, repor e reconstituir a imagem de uma realidade histórica que, sofreu uma distorção muito grande, principalmente entre os historiadores maçônicos. Podemos, devemos – e ai de quem assim não o fizer – continuar a enaltecer o fato e nos emocionar com o Grito do Ipiranga.

    Os maçons brasileiros são detentores de informações estratégicas dos acontecimentos da Independência do Brasil, pelo fato de a maçonaria da época estar comprometida com o desenrolar íntimo dos acontecimentos. Em linguagem moderna, pode-se afirmar que a maçonaria era a vanguarda do movimento da Independência do Brasil.

    Com a inexistência de partidos políticos para articular, coordenar e mobilizar o povo e as elites, a maçonaria agiu, individual e institucionalmente, como um verdadeiro partido político da Independência. Os maçons daquela época juravam, ao ingressar na maçonaria, além dos juramentos de praxe, o de realizar a independência do Brasil.

    Esse artigo visa, pois, reconstituir historiograficamente, o verdadeiro desenrolar dos acontecimentos para que os historiadores maçônicos e os maçons do Grande Oriente do Brasil – guardiães das atas da fundação do Grande Oriente do Brasil – possam bem entender para, conscientemente, reverenciar o que se passou naqueles conturbados dias. Nós estávamos tão perto dos acontecimentos que temos a obrigação e o dever moral de dar à Nação a nossa visão dos acontecimentos.

    – As cores da Bandeira Nacional

    Investigando sobre as cores da Bandeira Nacional adotadas após o 7 de Setembro.

    Informa-se no ensino fundamental, que o verde representa nossas florestas e o amarelo é o ouro de nossas minas. A verdade, contudo, manda-nos dizer que o verde é a cor da Casa dos Braganças e o amarelo é a cor dos Habsburgos, de que provém a Imperatriz Dona Leopoldina.

    Pesquisava-se a proveniência do amarelo. Como a cor da Casa de Lorena foi incrustada no Império Austro-Húngaro? O casamento de Francisco Estevão, duque de Lorena e arquiduque da Toscana com a Imperatriz Tereza Cristina, nos primórdios do século XVIII, levaram a cor amarela para a Casa de Áustria.

    Convém ainda salientar que o duque de Lorena foi o primeiro príncipe de sangue real a ser iniciado na maçonaria no continente europeu em 1731 e teve como iniciante a John Theophilus Desaguliers quando encontrava em Haia, Holanda.

    Entretanto, ao estudar a heráldica da época da Independência já que lá estavam alguns aspectos que os historiadores, maçônicos ou profanos, não dispensaram a elas a devida atenção.

    A verdadeira pergunta, pois, há de ser a seguinte: a independência do Brasil se deu realmente no dia 7 de Setembro, no dia 9 de Setembro, no dia 20 de Agosto, ou no dia 12 de Outubro, data da “Aclamação de D. Pedro”?

    Liga-se, doravante, a questão acima a outra de cunho mais heráldico: durante o Brasil 1º e 2º Império; houve uma ou duas Bandeiras e Armas Nacionais?
    Pensa-se que ao responder à segunda pergunta, ilumina-se magistralmente, como nunca, a primeira questão.

    Desde a vinda da Família Real portuguesa em 1808, o Brasil começou seu processo de independência do Reino de Portugal. A data da abertura dos portos do Brasil ao comércio direto com as nações amigas, em 28 de janeiro de 1808, em Carta-Régia assinada pelo Príncipe-Regente D. João pode ser vista como o marco inicial nesse processo de independência.

    O segundo marco, importantíssimo, no processo, foi a elevação do Brasil a Reino Unido a Portugal e Algarves, com direito à bandeira e ao escudo, eliminando-se, pelo menos formalmente, o status colonial, devido à carta de lei de 13 de maio de 1816, assinada, já agora pelo rei D. João VI, e que, depreende-se o seguinte:
    “Dando-lhe por armas a esfera armilar manuelina, com as quinas, armas que já encontramos no século anterior, em moedas da África portuguesa de 1770 (1/4 de  macuta).

    Por carta de lei de 13 de Maio de  1816:

    I  – Que  o Reino do Brasil tenha por Armas huma Esféra  Armillar de Ouro em campo azul. –

    II - Que o escudo Real Portuguez, inscrito na dita Esféra Armillar de Ouro  em  campo  azul, com huma Corôa sobreposta, fique sendo de hoje em diante as Armas do Reino Unido de Portugal, e do Brasil, e Algarves, e das demais partes integrantes da Minha  Monarquia.

    III – Que estas novas Armas  sejão  por  conseguinte as que uniformemente se hajão de empregar em todos os Estandartes, Bandeiras, Sellos Reaes, e Cunhos de Moedas, assim em tudo mais, em  que  até  agora  se tenha feito uso das Armas precedentes”.

    Nem bem se passaram cinco anos da criação da bandeira e do escudo criado por D. João VI e, ainda em 1821, as Cortes Constituintes Portuguesas decretaram que o campo da Bandeira do Reino Unido fosse azul e branco, “por serem as cores do escudo de D. Henriques”.

    E mais, considerado aqui um acinte para os brasileiros, que dela se eliminasse a esfera armilar, como se a Bandeira Constituinte não representasse mais o Reino Unido ou dele fosse excluído o Reino do Brasil. A volta de D. João VI a Portugal em 3 de julho de 1821 precipitou os acontecimentos no Brasil.

    O ‘Fico’ em 9 de janeiro de 1822, um ato de rebeldia de D. Pedro em relação às Cortes opressoras de Lisboa e não a seu pai que era, também, virtual prisioneiro das mesmas, inclui-se no mesmo processo de independência.

    – A Heráldica Ilumina a História

    Em 7 de setembro, quando D. Pedro regressava de Santos, ao receber às Margens do Riacho do Ipiranga, os Correios da Corte, com as últimas notícias em relação à sua figura e ao Brasil – e com as cartas da princesa Leopoldina e de José Bonifácio -, irado, teria proferido o

    Grito que separava o Reino do Brasil do de Portugal.

    Ainda no dia 7 de setembro, D. Pedro foi aclamado no Teatro da Ópera de São Paulo, com três: “Viva o Primeiro Rei do Brasil”.

    Retorna ao Rio de Janeiro na noite de 14 de setembro.

    O processo de independência havia galgado mais um degrau, mas ainda não estava completo, pois em todos os decretos, alvarás, provisões e demais diplomas governamentais até o dia 12 de outubro, quando aí sim é proclamado Imperador, inclui-se sempre a seguinte fórmula:
    “… o Reino do Brasil, de quem sou o Regente e Perpétuo Defensor…” ou ainda “com a rubrica de sua Alteza Real o Príncipe-Regente.

    Em 18 de setembro de 1822 registra-se o decreto que determina a adoção do Brasão de Armas e da Bandeira Nacional do novo Reino.

    Não se deve esquecer de que as Cortes tinham rebaixado o Reino do Brasil, pelo menos, na Bandeira da Constituinte. O Príncipe-Regente deveria instituir nova Bandeira, mas tudo sob a tutela de seu Augusto Pai. Uma Nação com Dois Reinos.

    A ruptura total só viria a acontecer em 12 de  outubro.

    A heráldica esclarece esse processo gradativo de independência de maneira exemplar, como se pode observar pela sua íntegra:
    Havendo o Reino do Brasil, de quem sou Regente e Perpétuo Defensor, declarado sua Emancipação Política, entrando a occupar na Grande Família das Nações o lugar que justamente lhe compete como Nação Grande, Livre e Independente; sendo por isso indispensável que elle tenha hum Escudo Real D’Armas, que não só o distingão das Armas de Portugal e Algarves até agora reunidas, mas que sejão  características deste rico e vasto continente; e Desejando Eu que se conservem as Armas que a este Reino forão dadas pelo Senhor Rei Dom João VI, Meo Augusto Pay, na Carta de Ley de 13 de Maio de 1816 e ao mesmo tempo Rememorar o primeiro Nome que lhe foi imposto no seu feliz.

    Descobrimento e Honrar as dezenove Províncias comprehendidas entre os Grandes Rios, que são seus limites naturaes e lhe formão sua integridade que Eu Jurei sustentar: Hey por bem, e com o Parecer de Meo Conselho d’Estado, Determinar o seguinte: – Será d’ora em diante o Escudo deste Reino do Brasil, em campo verde huma esphera Armilar de ouro atravessada por uma Cruz da Ordem de Christo, sendo circulada a mesma Esphera de dezenove Estrelas de prata em uma orla azul; e firmada a Coroa Real Diamantina sobre o Escudo, cujos lados serão abraçados por dois ramos das plantas de Caffé e Tabaco, como Emblemas de sua riqueza comercial, representados na sua própria cor e ligados na sua parte inferior pelo Laço da Nação.

    A Bandeira Nacional será composta de hum paralellogramo verde e nelle inscripto hum quadrilátero rhomboidal côr de ouro, ficando no centro deste Escudo das Armas do Reino do Brasil.

    – José Bonifácio de Andrada e Silva, do Meo Conselho de Estado e do Conselho de Sua Magestade Fidelíssima o Senhor Rey Dom João Sexto e Meo Augusto Pay, e Meo Ministro e Secretário de Estados de Negócios do Reino e Estrangeiros, o tenham assim entendido e faça executar com os Despachos necessários. – Paço em 18 de setembro de 1822. – (ass.) Príncipe-Regente.

    – José Bonifácio de Andrada e Silva. (Col. De Leys do Brasil de 1822).

    Bandeira do Brasil Reino.imgem
    Bandeira do Brasil Reino

    Fica claro por este decreto que o Reino do Brasil não aceita a tutela das Cortes Constitucionais de Lisboa, Possui agora uma Coroa Real Diamantina, tornando impossível a volta do Reino ao status de Colônia, o Príncipe-Regente governa em nome do Senhor Rey D. João VI que, dependendo da pressão nacional e popular poderá cortar os laços que o unem. Precisava, pois, cavalgar a pressão da maçonaria radical de Gonçalves Ledo sem esquecer o Nabuco: “Não se faz a revolução sem os radicais, mas não se governa com eles”.

    Como já tinha sido eleito Arconte-Rei no Apostolado de José Bonifácio, trata-se agora de ser Grão-Mestre da Maçonaria do arraial do Ledo. É o que consegue, pois, antes do dia 12 de outubro, a 17ª Ata do Grande Oriente do Brasil diz ter ele tomado posse como Grão-Mestre. Deixa-se de apresentar a data, uma vez que os historiadores maçônicos e profanos não chegaram a um acordo sobre o calendário utilizado “pois todo mundo mexe naquela folhinha”.

    Qual a verdadeira data: 28 de setembro, 4 ou 7 de outubro? Deixa-se o esclarecimento para o futuro. Importa é que nenhuma ata após o 7 de setembro até a última (19ª) faz menção ao mesmo. Tal fato deixa os historiadores maçônicos atônitos, pois não souberam explicar os acontecimentos.

    No dia de seu natalício, D. Pedro foi aclamado Imperador com pompa e circunstância – o 12 de outubro de 1822 – data da verdadeira independência urbe et orbi. Exaruiu o seguinte decreto, publicado no dia seguinte:

    Hey por bem Ordenar que, da data deste para o futuro, se use nos ditos Tribunaes e mais Repartições Públicas geralmente do título de Magestade Imperial, quando no expediente dos Negócios se referem à minha Augusta Pessôa; que nas Provisões se principie pela formula seguinte: Dom Pedro, pela Graça de Deos e unanime acclamação dos povos, Imperador Constitucional e Defensor dos povos; Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Império do Brasil; Faço saber, etc.

    – E que nos Alvarás se use da seguinte: Eu, o Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil; Faço saber, etc. Os ditos Tribunaes, Repartições e Autoridades constituídas, a quem pertencer a execução deste Meo Decreto Imperial, o tenhão assim entendido e fação executar.

    – Paço em 13 de outubro de 1822. (Ass.) O Imperador. José Bonifácio de Andrada e Silva. (Col. De Leys do Brasil de 1822).

    Agora sim, o ex-Príncipe-Regente assumira a sua condição de Imperador e cortara definitivamente os laços que o amarravam a “Seo Augusto Pay”. Daí em diante, aclamado, apropria-se de todas as funções de estadista autônomo e independente.

    Não há de se esquecer do clima conturbado que a recém-nação estava vivendo: os mineiros irrequietos; as tropas portuguesas em pé-de-guerra, principalmente as do Brigadeiro Madeira, um ramo maçônico republicano à espreita de melhores dias; diversas províncias não tinham ainda respondido ao apelo imperial.

    Em suma, as lealdades ainda estavam divididas. Numa das cartas recebidas às margens do Riacho do Ipiranga, no 7 de setembro, a princesa Leopoldina alertava:
    “(…) As notícias de Lisboa são péssimas: 14 batalhões vão embarcar nas três naus; mando-se imprimir suas cartas, e o povo lisbonense tem-se permitido toda a qualidade de expressões indignas contra sua pessoa; na Bahia entraram os 600 homens e duas ou três embarcações de guerra; e nossa traidora Esquadra ficou de boca aberta olhando para elas. Na cidade do Rio têm produzido estas notícias o maior alvoroço.

    – Os Ministros de Estado lhe escrevem esta carta aqui inclusa e assentou-se não mandar os navios para o Sul, porque o Lecor se desmascarou como Maroto, e era capaz de embarcar a tropa para Santa Catarina; a sua vinda depois decidirá se sempre quer mandá-los”.

    Imagine-se o que se passava no coração e na mente de um jovem que acabara de completar 24 anos no dia de sua aclamação.

    Finalizando, no dia 1 de dezembro, data de sua coroação como Imperador, D. Pedro assinou seu primeiro decreto substituindo a Coroa Diamantina pela Coroa Imperial e estabelecendo a Bandeira que durou até a Proclamação da República:

    Havendo sido proclamado com a maior espontaneidade dos povos a Independência política do Brasil, e a sua elevação à cathegoria de Império pela minha solemne Acclamação, Sagração e Coroação, como seu Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo: Hei por bem Ordenar que a Corôa Real que se acha sobreposta no Escudo d’Armas, estabelecido pelo Meo Decreto de 18 de Setembro do corrente anno, seja substituída pela Corôa Imperial, que lhe compete, a fim de corresponder ao gráo sublime e glorioso em que se acha constituído este rico e vasto continente.

    – Paço, 1º de Dezembro de 1822, 1º da Independência e do Império. Ass.) – O Imperador. – José Bonifácio de Andrada e Silva. (Col. De Leys do Brasil de 1822).

    Bandeira do Brasil imperio.imgem

    Bandeira do Brasil Império

    As duas bandeiras podem ser comparadas: 1) a Bandeira do Brasil Reino e; II) a Bandeira do Brasil Império.

    A primeira durou 73 dias, do 18 de setembro até primeiro de dezembro e a segunda de primeiro de dezembro de 1822 até o 15 de novembro de 1889, data da Proclamação da República, ou seja 67 anos.

    Cermônica de aclamação D.Pedro.imagem

    Cerimônia da Aclamação do Príncipe D. Pedro I – Debret

    Descrição do evento:
    “Às dez horas saía do palácio de S. Cristóvão o Imperador, com a Imperatriz e a princesa D. Maria da Glória, acompanhado pela sua luzida Guarda de Honra.

    Pelo caminho, e ainda mais na sua chegada ao campo, prorrompiam os vivas por toda parte.

    Dirigiu-se depois o Imperador, acompanhado de seus ministros e camaristas, à varanda do palacete, no qual estariam umas três mil pessoas. Ouviu o largo discurso do presidente da municipalidade, que por vezes foi interrompido de vivas pelo povo; respondeu aceitar o título, convencido de que tal era a vontade geral dos povos do Brasil.

    Desfilaram depois as tropas; seguiu o Imperador, a pé, apesar da chuva, até a Capela Imperial, onde assistiu ao Te Deum, e logo passou ao palácio a dar beija-mão, e à noite compareceu ao teatro.

    O jornal da época O Espelho, assim descreve o fato: “… pelas dez horas da manhã saiu Sua Majestade Imperial, acompanhado de Sua Esposa e da Sereníssima Princesa D. Maria da Glória, do Paço Imperial da Boa Vista, com o trem seguinte: Precedia a Guarda de Honra de Sua Majestade, composta de paulistas e fluminenses e por batedores dois exploradores  e oito soldados da mesma Guarda.

    Seguiam-se três moços da estribeira, sendo um índio, outro mulato e o terceiro negro. Ia depois o coche que conduzia Suas Majestades o Imperador e a Imperatriz e a Sereníssima Princesa, sendo puxado a oito cavalos, tendo ao lado quatro moços da estribeira.

    Acompanhava a Guarda de Honra, comandada pelo seu chefe, o Coronel Antônio Leite Pereira da Gama Lobo. Seguia o coche de Estado e após este outro, com os dois camaristas a serviço de Suas Majestades.

    Apenas entraram na mencionada praça, começaram os mais altos e freqüentes vivas…”.
    O Barão do Rio Branco também dá a sua contribuição sobre o evento: “Esta foi a resposta do Imperador: “Aceito o título de Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil, porque, tendo ouvido o meu Conselho de Estado e de Procuradores-Gerais, e examinando as representações das câmaras, das diferentes províncias, estou intimamente convencido de que tal é a vontade geral de todas as outras, que, só por falta de tempo, não têm ainda chegado”.

    Esta resposta impressa na Tipografia Nacional, foi na mesma ocasião lançada da varanda, e espalhada pelo povo. A artilharia deu então uma salva de cento e um tiros, e a infantaria três descargas… Depois do Te Deum, as tropas se formaram, em parada, no Largo do Paço, dando a infantaria outras três descargas e a artilharia uma segunda salva de cento e um tiros”.

    Esclarecidos esses pontos, passa-se a apontar as perplexidades dos historiadores maçônicos no tocante aos fatos apontados acima.

    – A Perplexidade dos Historiadores Maçônicos

    Vários escritores e historiadores maçônicos, por não entenderem o relatado acima sobre a diferença entre o Brasil Reino e o Brasil Império, cometem as maiores barbaridades nas suas interpretações.

    O historiador maçônico – A. Tenório d’Albuquerque. Apesar de já ter dado um grau 33 a Tiradentes antes da formação do Rito Escocês Antigo e Aceito, no seu opúsculo José Bonifácio – o Falso Patriarca escreve o seguinte:
    “(…) Um fato há, de excepcional gravidade, praticado por José Bonifácio, como Ministro, a que ainda não vimos a menor referência por parte dos nossos historiadores, aprendizes ou Mestres.

    José Bonifácio escamoteou a nossa Independência. Ele a ocultou indevidamente aos países estrangeiros, talvez ainda com a ilusão – que ilusão! – “de ver realizado o seu ideal de Reino Unido Portugal-Brasil”.

    “(…) Em 4 de outubro de 1822, José Bonifácio ainda escrevia para o estrangeiro sem tratar D. Pedro I de Imperador!!!

    Tal fato ocorreu já um mês e meio depois da proclamação da Independência no Grande Oriente do Brasil e quase um mês depois do 7 de setembro!

    ”José Bonifácio era contrário à Independência do Brasil”.

    No caso não é bem perplexidade e sim incompetência historiográfica, pois fundamentalismo anti-José Bonifácio o leva a extrapolar o quadro da ciência histórica e ingressar na polêmica jornalística.

    A perplexidade começa com o Edital do Senado da Câmara do Rio do dia 21 de setembro de 1822, calcado no mesmo ofício que o mesmo Senado enviou ao de São Paulo no dia 17 de setembro. Tanto um como outro “também nada falam sobre o ato do dia 7 de setembro em São Paulo, ignorando-o. Simplesmente diz que o Brasil estava dirigindo a grande obra da Independência. Nada mais”.

    Até D. Pedro recebe um puxão de orelhas, fato inusitado, pelo menos na historiografia moderna:
    “No dia 22 de setembro de 1822, D. Pedro escreve a D. João VI:
    ‘Meu Pai e Senhor
    Tive a honra de receber de Vossa Magestade uma carta datada de 3 de agosto, na qual Vossa Magestade me repreende pelo meu modo de escrever e falar da facção luso-espanhola (se Vossa Magestade me permite, eu e meus irmãos brasileiros lamentamos muito e muito o estado de coação em que Vossa Magestade jáz sepultado); eu não tenho outro modo de escrever, e como o verso era para ser medido pelos infames deputados europeus e brasileiros do partido dessas despóticas Cortes executivas, legislativas e judiciárias, cumpria ser assim; e como eu agora, mais bem informado, sei que Vossa Magestade está positivamente preso…’

    E continuava D. Pedro:
    “Embora se decrete a minha deserção, embora se cometam todos os atentados que em Clubes Carbonários forem forjados, a Causa Santa não retrogradará, e eu antes de morrer direi aos meus caros brasileiros: Vede o fim de quem se expôs pela Pátria, imitai-me”.
    E mais adiante continuava D. Pedro a chamar as Cortes de Lisboa de “facciosas, horrorosas, maquiavélicas, desorganizadoras, hediondas e pestíferas…”

    E terminava:
    “Peço a Vossa Magestade que mande apresentar esta às Cortes! às Cortes, que nunca foram gerais, e que são hoje em dia só de Lisboa, para que tenham com que se divirtam, e gastem ainda um par de moedas a esse tísico tesouro”.

    D. Pedro se esquecia de que, tendo proclamado a Independência do Brasil, era chefe de uma Nação soberana e que, portanto, não podia mais enviar uma carta naqueles termos ao chefe de outra Nação, inclusive ao parlamento dessa outra Nação. “Esqueceu-se D. Pedro de enviar um documento diplomático a D. João VI, comunicando a separação de ambos os Reinos”.

    O Senado da Câmara de São Paulo também não escapa à crítica: “(…) Esta exigência sim, estava no ofício do dia 17 de setembro, dirigido pelo Senado da Câmara do Rio ao de São Paulo.

    Ressaltemos, a ingenuidade daquele Senado da Câmara de São Paulo, ainda expressando as tradições monarquistas de São Paulo, ao lamentar o estado de prisão em que se achava D. João VI em Lisboa (…)”.

    As suas perplexidades também se voltam em direção à maçonaria: “(…) Na ata (do GOB) desse dia 7 de outubro, nada há também sobre o Grito do Ipiranga.

    Não foi feita menor referência à proclamação da Independência, feita por D. Pedro em São Paulo, exatamente um mês antes. Mais uma vez, evidencia-se que a Maçonaria ‘Vermelha’ ignorou o brado de ‘Independência ou Morte’, nome de uma ‘palestra’ do Apostolado ‘Azul’. (…) Na peça oratória, o Brigadeiro Alves Branco também não faz alusão ao Grito do Ipiranga.

    A MAÇONARIA E A INDEPENDÊNCIA DO BRASIL

    “A História da nossa independência está intimamente ligada com a Fundação do Grande Oriente do Brasil, Obediência Mater da Maçonaria Brasileira.”

    Espera-se que essa contribuição sirva para que possa esclarecer alguns pontos que causaram e ainda causam confusão, até os dias de hoje.

    Os maçons do GOB possuem um acervo inestimável de documentos históricos que exigem uma apuração mais aparimorada para esclarecer vários pontos, ainda obscuros, sobre a nossa independência. Está surgindo uma nova geração de maçons historiadores que poderão seguir o acervo deixado por, José Castellani e tantos outros que engrandecem as pesquisas históricas maçônicas no Brasil contemporâneo.

    O momento é o de desmistificar alguns traços impingidos como história na mente dos maçons, procurando extrair os fatos das lendas apresentadas como verdades históricas.

    Este artigo insere-se nesse movimento e espera-se que tenha auxiliado a esclarecer um pedaço da controversa história da Independência do Brasil. Que outros venham a aprofundar, mais e mais, o nosso profundo acervo cultural.

    Basta de tomar partido entre José Bonifácio e José Gonçalves Ledo. Ambos deram a sua contribuição ao Brasil e à Maçonaria. Não eram anjos nem demônios, eram simplesmente homens lutando por aquilo em que acreditavam.

    Basta de tribunais da Santa Inquisição, seja na história do Brasil ou universal, buscando julgar, muitas vezes sem muita base, como se viu acima, lançando contra pessoas ou instituições. Trata-se de ajudar os maçons e não maçons; não-historiadores a compreender e encaixar os nossos Pais Fundadores no seu momento histórico.

    Apesar do farto material documental existente, pouco se publica sobre o papel importante, decisivo e histórico que a Maçonaria, como Instituição, teve nos fatos que precipitaram a Proclamação da Independência.

    Deixar de divulgá-los, é ocultar a verdade e conseqüentemente ocorrer no erro da omissão, que nem a História e nem o tempo perdoam, principalmente para com aqueles nossos irmãos, brava gente brasileira, que acreditavam, ou ainda mais, tinha como ideário de vida a Independência da Pátria tão amada.

    O objetivo principal, sem dúvida nenhuma, da criação do Grande Oriente foi engajar a Maçonaria na luta pela independência política do Brasil.. Desde sua descoberta em 1500, o Brasil foi uma colônia Portuguesa, sendo explorada desde então pela sua metrópole, não tinha, portanto, liberdade econômica, liberdade administrativa, e muito menos liberdade política. Como a exploração metropolitana era excessiva e os colonos não tinham o direito de protestar, cresceu e descontentamento dos brasileiros.

    Iniciam-se então as rebeliões conhecidas pelo nome de Movimentos Nativistas, quando ainda não se cogitava na separação entre Portugal e Brasil. Estampava-se em nosso País o ideal da liberdade.

    A primeira delas foi a Revolta de Beckman em 1684, no Maranhão. No início do século XVIII, com o desenvolvimento econômico e intelectual da colônia, alguns grupos pensaram na independência política do Brasil, de forma que os brasileiros pudessem decidir sobre seu próprio destino.

    Ocorreu, então, a Inconfidência Mineira (1789) que marcou a história pela têmpera de seus seguidores; depois a Conjuração Baiana (1798) e a Revolução Pernambucana (1817), todas elas duramente reprimidas pelas autoridades portuguesas.

    Em todos estes movimentos a Maçonaria se fez presente através das Lojas Maçônicas e Sociedades Secretas já existentes, de caráter maçônico tais como: Cavaleiros da Luz na Bahia e Areópago de Itambé na divisa da Paraíba e Pernambuco, bem como pelas ações individuais ou de grupos de maçons.

    Nos dias atuais, os grandes vultos e os fatos marcantes da nossa história estão, na maioria das pessoas, adormecidos.

    O sentimento cívico esta distante e muitas vezes apagado em nossas mentes. Fatos e acontecimentos importantes marcaram o início da emancipação política da nossa nação. Retomemos os tempos idos e a alguns referenciais da nossa rica história.

    - Início do século XIX? Ano de 1808? D. João e toda família real, refugia-se no Brasil em decorrência da invasão e dominação de Portugal por tropas francesas, encetadas pelo jugo napoleônico.

    Este fato trouxe um notável progresso para a colônia, pois esta passou a ter uma organização administrativa idêntica à de um Estado independente. D. João assina o decreto da Abertura dos Portos, que extinguia o monopólio português sobre o comércio brasileiro. O Brasil começa a adquirir condições para ter uma vida política independente de Portugal, porém sob o aspecto econômico, passa a ser cada vez mais controlado pelo capitalismo inglês.

    - Ano de 1810? Ocorre a expulsão dos franceses pôr tropas inglesas, que passam a governar Portugal com o consentimento de D. João.

    - Ano de 1815 ? D. João, adotando medidas progressistas, Põe fim na situação colonial do Brasil, criando o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve, irritando sobremaneira os portugueses.

    - Ano de 1820? Cansados da dominação e da decadência econômica do país, os portugueses iniciam uma revolução na cidade do Porto culminando com a expulsão dos ingleses.

    Estabelecem um governo temporário, adotam uma constituição provisória e impõem sérias exigências a João (agora já com o título de rei e o nome de D. João VI), ou seja:
    - Aceitação da constituinte elaborada pelas cortes,
    - nomeação para o ministério e cargos públicos,
    - sua volta imediata para Portugal. Com receio de perder o trono e sem alternativa, face às exigências da Corte (Parlamento português), D. João VI regressa a Lisboa (Portugal) em 26 de abril de 1821, deixando como Príncipe Herdeiro, nomeado Regente do Brasil pelo Decreto de 22 de abril de 1821, o primogênito com então 21 anos de idade?

    PEDRO DE ALCANTARA FRANCISCO ANTÔNIO JOÃO CARLOS XAVIER DE PAULA MIGUEL RAFAEL JOAQUIM JOSÉ GONZAGA PASCOAL CIPRIANO SERAFIM DE BRAGANÇA E BURBON.

    O Príncipe Dom Pedro, jovem e voluntarioso, aqui permanece, não sozinho pois logo viu-se envolvido por todos os lados de homens de bem, Maçons, que constituíam a elite pensante e econômica da época. Apesar de ver, ser aceitas suas reivindicações, os revolucionários portugueses não estavam satisfeitos.

    As cortes de Portugal estavam preocupadas comas perdas das riquezas naturais do Brasil e previam sua emancipação, como ocorria em outros países sul-americanos. Dois decretos em 1821 de números 124 e 125 emanados das Cortes Gerais portuguesas são editados na tentativa de submeter e inibir os movimentos no Brasil.

    Um reduzia o Brasil da posição de Reino Unido à antiga condição de colônia, com a dissolução da união brasílico-lusa, o que seria um retrocesso, o outro, considerando a permanência de D. Pedro desnecessária em nossa terra, decretava a sua volta imediata.

    Os brasileiros reagiram contra os decretos através de um forte discurso do Maçom Cipriano José Barata, denunciando a trama contra o Brasil. O Maçom, José Joaquim da Rocha, funda em sua própria casa o Clube da Resistência, depois transformado no Clube da Independência.

    Verdadeiras reuniões maçônicas ocorrem na casa de Rocha ou na cela de Francisco de Santa Tereza de Jesus Sampaio, Frei Sampaio, no convento de Santo Antônio, evitando a vigilância da polícia.

    Várias providências foram tomadas, dentre elas: consultar D. Pedro; convidar o Irmão, Maçom, José Clemente Pereira, Presidente do Senado a aderir ao movimento e enviar emissários aos maçons de São Paulo e Minas Gerais.

    Surge o jornal, “Revérbero Constitucional Fluminense”, redigido por Gonçalves Ledo e pelo Cônego Januário, que circulou de 11 de setembro de 1821 a 08 de Outubro de 1822, e que teve a mais extraordinária influência no movimento libertador, pois contribuiu para a formação de uma consciência brasileira, despertando a alma da nacionalidade.

    Posteriormente a 29 de julho de 1822 passa a ser editado o jornal? “Regulador Brasílico-Luso”, depois denominado, “Regulador Brasileiro”, redigido pelo Frei Sampaio, que marcou também sua presença e atuação no movimento emancipador brasileiro.

    Na representação dos paulistas, de 24 de dezembro de 1821, redigida pelo Maçom José Bonifácio de Andrada e Silva, pode-se ler o seguinte registro: “É impossível que os habitantes do Brasil, que forem honrados e se prezarem de serem homens, possam consentir em tais absurdos e despotismo…

    V.Alteza Real deve ficar no Brasil, quaisquer que sejam os projetos das Cortes Constituintes, não só para o nosso bem geral, mas até para a independência e prosperidade futura do mesmo.

    Se V. Alteza Real estiver (o que não é crível) deslumbrado pelo indecoroso decreto de 29 de setembro, além de perder para o mundo a dignidade de homem e de príncipe, tornando-se escravo de um pequeno grupo de desorganizadores, terá que responder, perante o céu, pelo rio de sangue que, decerto, vai correr pelo Brasil com a sua ausência…”.

    - 09 de janeiro de 1822 ? Na sala do trono e interpretando o pensamento geral, cristalizando nos manifestos dos fluminenses e dos paulistas e no trabalho de aliciamento dos mineiros, o Maçom José Clemente Pereira, presidente do Senado da Câmara, antes de ler a representação, pronunciou inflamado e contundente discurso pedindo para que o Príncipe Regente Permanecesse no Brasil.

    Após ouvir atentamente, o Príncipe responde: “estou pronto, diga ao povo que fico”.

    A alusão às hostes maçônicas era explícita e D. Pedro conheceu-lhe a força e a influência, entendendo o recado e permanecendo no Brasil.. Este episódio, conhecido como o Dia do Fico, marcou a primeira adesão pública de D. Pedro a uma causa brasileira.

    - Em 13 de maio de 1822? Os Maçons fluminenses, sob a liderança de Joaquim Gonçalves Ledo, e por proposta do brigadeiro Domingos Alves Munis Barreto, resolviam outorgar ao Príncipe Regente o título de Defensor Perpétuo do Brasil, oferecido pela Maçonaria e pelo Senado.

    - Ainda em maio de 1822? Aconselhado pelo então seu primeiro ministro das pastas do Reino e de Estrangeiros, o Maçom, José Bonifácio de Andrada e Silva, D. Pedro assina o Decreto do Cumpra-se, segundo o que só vigorariam no Brasil as Leis das Cortes portuguesas que recebessem o cumpra-se do príncipe regente.

    - Em 02 de junho de 1822? Em audiência com D. Pedro, o Irmão José Clemente Pereira leu o discurso redigido pelos Maçons Joaquim Gonçalves Ledo e Januário Barbosa, que explanavam da necessidade de uma Constituinte.

    D. Pedro comunica a D. João VI que o Brasil deveria ter suas Cortes. Desta forma, convoca a Assembléia Constituinte para elaborar uma Constituição mais adequada ao Brasil. Era outro passo importante em direção à independência.

    - Em 17 de junho de 1822? A Loja Maçônica, “Comércio e Artes na Idade do Ouro” em sessão memorável, resolve criar mais duas Lojas pelo desdobramento de seu quadro de Obreiros, através de sorteio, surgindo assim as Lojas “Esperança de Niterói” e “União e Tranqüilidade”, se constituindo nas três Lojas Metropolitanas e possibilitando a criação do “Grande Oriente Brasílico ou Brasiliano”, que depois viria a ser denominado de “Grande Oriente do Brasil”. José Bonifácio de Andrada e Silva (O Patriarca da Independência) é eleito primeiro Grão-Mestre, tendo Joaquim Gonçalves Ledo como 1º Vigilante e o Padre Januário da Cunha Barbosa como Grande Orador.

    O Objetivo principal da criação do GOB foi de engajar a Maçonaria como Instituição, na luta pela independência política do Brasil, conforme consta de forma explícita das primeiras atas das primeiras reuniões, onde só se admitia para iniciação e filiação em suas Lojas, pessoas que se comprometessem com o ideal da independência do Brasil.

    - No dia 02 de agosto? Por proposta de José Bonifácio, é iniciado o Príncipe Regente, D. Pedro, adotando o nome histórico de Guatimozim ultimo imperador Asteca morto em 1522, e passa a fazer parte do Quadro de Obreiros da Loja Comércio e Artes.

    - No dia 05 de agosto? Por proposta de Joaquim Gonçalves Ledo, que ocupava a presidência dos trabalhos, foi aprovada a exaltação ao grau de Mestre Maçom que possibilitou, posteriormente, em 04 de outubro de 1822, numa jogada política de Ledo, o Imperador ser eleito e empossado no cargo de Grão-Mestre, do GOB.

    Porém, foi no mês de agosto de 1822 que o Príncipe, agora Maçom, tomou a medida mais dura em relação a Portugal, declarou inimigas as tropas portuguesas que desembarcassem no Brasil sem o seu consentimento.

    Em 14 de agosto parte em viagem, com o propósito de apaziguar os descontentes em São Paulo, acompanhado de seu confidente Padre Belchior Pinheiro de Oliveira e de uma pequena comitiva. Faz a viagem pausadamente, percorrendo em 10 dias, 96 léguas entre Rio e São Paulo.

    Em Lorena, a 19 de agosto, expede o decreto dissolvendo o governo provisório de São Paulo.
    No dia 25 de agosto chega a São Paulo sob salva de artilharia, repiques de sino, girândolas e foguetes, se hospedando no Colégio dos Jesuítas.

    De São Paulo se dirige para Santos em 5 de setembro de 1822, de onde regressou na madrugada de 7 de setembro.

    Encontrava-se na colina do Ipiranga, às margens de um riacho, quando foi surpreendido pelo Major Antônio Gomes Cordeiro e pelo ajudante Paulo Bregaro, correios da corte, que lhes traziam noticias enviadas com urgência pelo seu primeiro ministro José Bonifácio. D. Pedro, após tomar conhecimento dos conteúdos das cartas e das noticias trazidas pelos emissários, pronunciou as seguintes palavras:
    “As Côrtes me perseguem, chamam-me com desprezo de rapazinho e de brasileiro. Verão agora quanto vale o rapazinho. De hoje em diante estão quebradas as nossas relações; nada mais quero do governo português e proclamo o Brasil para sempre separado de Portugal”.

    A independência do Brasil foi realizada à sombra da acácia, cuja as raízes prepararam o terreno para isto.

    A Maçonaria teve a maior parte das responsabilidades nos acontecimentos literários. Não há como negar o papel preponderante desta instituição maçônica na emancipação política do Brasil.

    Desde 1815, com a fundação da Loja Maçônica Comércio e Arte, que daria origem as Lojas União e Tranqüilidade e Esperança de Niterói e a posterior constituição do Grande Oriente do Brasil em 17 de Junho de 1822, o ideário de independência se fazia presente entre seus membros e contagiava os brasileiros.

    À frente do movimento, enérgica e vivaz, achavam-se a Maçonaria e os Maçons. Entre seus principais Obreiros, pedreiros livres, de primeira hora podemos destacar: Joaquim Gonçalves Ledo, José Bonifácio da Andrada e Silva, José Clemente Pereira, Hipólito José da Costa, Cônego Januário da Cunha Barbosa, José Joaquim da Rocha, Padre Belchior Pinheiro de Oliveira, Felisberto Caldeira Brant, o Bispo Silva Coutinho, Jacinto Furtado de Mendonça, Martim Francisco, Monsenhor Muniz Tavares, Evaristo da Veiga dentre muitos outros.

    Faz-se necessário também alçar a figura do personagem que se destacou durante todo o movimento articulado e trabalhado pela Maçonaria, o Príncipe Regente, Dom Pedro.
    Iniciado Maçom na forma regular prescrita na liturgia e nos rituais maçônicos, e nesta condição de pedreiro livre no grau de Mestre Maçom, aos 24 anos de idade, proclama no, 07 de setembro a nossa INDEPENDÊNCIA.

    Posteriormente, no dia 04 de Outubro de 1822, D. Pedro comparece ao Grande Oriente do Brasil e toma posse no cargo de Grão-Mestre, sendo na oportunidade aclamado Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil.

    No mesmo dia, Joaquim Gonçalves Ledo, redigiu uma nota patriótica ao povo Brasileiro, a primeira divulgação, depois da independência, que dizia: “Cidadãos! A Liberdade identificou-se com o terreno; a natureza nos grita Independência; a razão nos insinua; a justiça o determina; a glória o pede; resistir-lhe é crime, hesitar é dos covardes, somos homens, somos Brasileiros. Independência ou Morte! Eis o grito de honra, eis o brado nacional…”

    MAÇONARIA E A REPÚBLICA DO BRASIL

    Antes da Proclamação da República no Brasil e mesmo antes da independência do país, houve quatro tentativas frustradas regional movimento republicano, que teve a presença e participação dos maçons brasileiros.

    A primeira tentativa foi o movimento conhecido nos livros de história do Brasil como Inconfidência Mineira.

    Na verdade, o primeiro movimento autônomo surgiu na cidade de Vila Rica, sede da Capitania de Minas Gerais em 1789, e foi motivado pelo descontentamento resultante de impostos abusivos do Reino Português, que no processo de decadência, explorando as riquezas minerais da rica capitania.

    Um grupo de intelectuais nessa capitania autonomia com sonhou republicano olhando para o exemplo da Revolução Francesa e, especialmente, a independência dos Estados Unidos da América do Norte.

    A vanguarda de esse grupo foi liderado por uma elite intelectual estudantes “mineiros”, que foram estudar em universidades européias e que tinha sido iniciado na Maçonaria em França cerca de 1776 e esperavam a libertação de sua terra natal.

    Os heróis principais eram José Álvares Maciel, José Joaquim da Maia e Domingos Vital Barbosa. Maia chegou a enviar uma carta a Thomas Jefferson, embaixador americano na França, para ver a possibilidade de subsidiar um possível movimento de libertação da capitania de mineração, e então ele deve ser espalhado por todo o país.

    Resposta de Jefferson foi vaga e ambígua. Maciel, por outro lado, atendeu o grupo político maçônico de Francisco Miranda, em Londres, no interesse da independência dos países ibéricos, culminando com a formação da Grande Reunião Interamericana.

    Maciel viria a ser a alma intelectual do movimento de emancipação em Vila Rica.
    Já na colônia, vários intelectuais, militares e padres também participar nas idéias liberais e da liberdade de circulação aderindo a Maçonaria.

    Eles podem ser citados: Cláudio Manoel da Costa, José Inácio de Alvarenga Peixoto, Tomás Antônio Gonzaga, Cónego Luís Vieira, pai Rolim, pai, Carlos Toledo, tenente-coronel Freire de Andrade, Luiz Piza principal sargento e Alferes Joaquim José da Silva Xavier, com apelidado de Tiradentes, que, não sendo um sacerdote, o título militar de alta ou membro do sistema de justiça foi condenado à morte após o fracasso da tentativa.

    Tiradentes é hoje o principal mártir da independência do Brasil.

    A bandeira do movimento era um triângulo eqüilátero (ou delta), um dos maiores símbolos maçônicos, rodeado pelas palavras de Virgílio Libertas quae será Tamen (Liberdade ainda que tardia).

    Em suas reuniões secretas debater o estabelecimento de uma república em Minas Gerais, a mudança da capital para São João del-Rei, instalar uma Casa da Moeda, fábricas de ferro e pólvora e desenvolver a mineração através da iniciativa privada.

    Os inconfidentes foram presos e o movimento termina praticamente com enforcamento de Tiradentes em 21 de abril de 1792.

    A segunda tentativa foi a Revolução Pernambucana de 1817, um movimento revolucionário, de tendência fortemente nacionalista que visava o estabelecimento de uma república na Província de Pernambuco, liderada pelo maçom Domingos José Martins.

    Domingo foi um comerciante localizado na cidade de Recife, capital da província, que viajava constantemente ao Reino Unido. Lá entrou em contato com os círculos maçônicos e ter sido iniciado em 1812 por Hipólito José da Costa, o patriarca da imprensa brasileira, e Miranda Francisco.

    Os conspiradores chegaram, com apoio popular para derrubar o governador da província e instalar um governo em Março 8, 1817.

    A reação veio através do Conde dos Arcos governador da província de fronteira da Bahia, que cercou Recife com 1500 homens.

    No dia 20 de março, os rebeldes foram derrotados e presos. Domingos e todos os outros líderes revolucionários foram levados para Salvador, respondeu a julgamento sumário e 43 foram mortos, incluindo civis e militares, e três clérigos. Entre eles estava o Padre Roma, um maçom ativo e combativo.

    O terceiro movimento foi a Confederação do Equador, e Brasil, com independência e luta pela sua unificação.

    Na província de Pernambuco, os remanescentes da Revolução de 1817, reagiram contra a prerrogativa do Imperador de escolher livremente o presidente da Província.

    O líder dessa reação foi Joaquim do Amor Divino Rabelo e Caneca, o popular frade carmelita – frei Caneca – maçom, jornalista propagandista dos ideais republicanos, professor de filosofia, retórica e geometria.

    Em seu diário Tífis Pernambuco fez vigorosa campanha contra o Imperador D. Pedro I, também maçom, buscando a dissolução da Assembléia Constituinte e a imposição e bolsas da Constituição de 1824, o primeiro país independente.

    A revolução rompeu com o Império recém implantado, uma república foi proclamada o nome de Confederação do Equador, a busca às províncias vizinhas com o apoio das lojas e maçons da região.

    A revolução foi rapidamente dominada pelas forças do nascente Império brasileiro como o presidente da Confederação – Manuel de Carvalho Paes de Andrade – também maçom, ele puxou para os Estados Unidos, ajudado pelos Filhos da Viúva.

    Os outros líderes, entretanto, não tiveram melhor sorte, porque todos eles foram presos e, posteriormente, enforcados, exceto Frei Caneca, que foi fuzilado.

    Este último, por seu carisma, autoridade moral e, principalmente, devido ao seu estatuto não sacerdote tinha o enforcado.

    O quarto e último movimento republicano regional, iniciado em 1835 como uma revolução autônoma e federalista, assumiu o líder liberal e maçom Bento Gonçalves da Silva e auto-intitulado República Piratini ou República Farroupilha.

    Naquele tempo, as sociedades maçônicas floresciam. Verdadeiramente, a Maçonaria era muito forte.

    Envolveu-se aos padres e a maioria dos homens influentes da província. Entre os maçons proeminentes sublinhou Bento Gonçalves, que organizou várias pousadas na fronteira sul do Brasil e foi um maçom conhecido como Sucre, e outros como Davi Canabarro, que era o líder do outro, e os italianos Tito Lívio Zambeccari e famoso Giuseppe Garibaldi, iniciado na Loja da Virtude Brasão da Província do Rio Grande do Sul, que mais tarde usou táticas de guerrilha aprendidas no Novo Mundo na unificação italiana.

    As causas do movimento podem ser citadas: o isolamento da província, descontentamento com o controle aduaneiro, o fato de que com o dinheiro da Província do Rio Grande do Sul até que a dívida foi paga com os britânicos, a existência de moedas falsas, que complicou a economia e o clima de tensão na fronteira.

    Muitos livros de história insistem que a versão dos Farrapos ou Farroupilha nome dado aos revolucionários gaúchos origem nas roupas esfarrapadas que eles usavam.

    A verdade, porém, é outra. O nome é anterior à Revolução Farroupilha, e foi usada para descrever as idéias liberais exaltados grupos.

    Já em 1829 eles se reuniram em sociedades secretas. Um deles foi a Sociedade dos Amigos Unidos, no Rio de Janeiro, cujo objetivo era lutar contra a monarquia. Desde então, eles eram chamados de Farroupilha.

    Segundo Evaristo da Veiga O termo havia sido inspirado pelo sans culottes franceses, os revolucionários mais fanáticos, durante o período da Convenção (1792-1795). Os sans culottes, que literalmente significa sem calções, vestindo calça com listas de lã, ao contrário dos shorts adptados para os mais ricos.

    Os combates duraram praticamente até 1840, com a prática da guerrilha por rebeldes contra as forças imperiais. Na batalha de Fanfan, no entanto, Bento Gonçalves foi preso no Forte do Mar na distante província da Bahia, onde misteriosamente fugiu com ajuda de maçonaria da Bahia em 10 de Setembro de 1837.

    Começando em 1842 com a nomeação do comandante das forças imperiais e governador da província, então Barão de Caxias – Maçom chegou emérito desde que recebeu o título de Grande Mestre de Honra do Grande Oriente do Brasil e patrono do Exército brasileiro – iniciou o processo de pacificação da província rebelde.

  • 11 Comentários

    Veja abaixo os comentários

    1. Roberto Rmao das Dores
      Publicado em 22/09/2009

      TFA.’. Parabéns pelo conteúdo histórico acima desenvolvido com clareza e perceptível a todos É possível vocês me enviar via e-mail resumidamente explicações sobre:
      ERA VULGAR:

      ERA DA VERDADEIRA LUZ:

      FRATERNALMENTE…Ir.’. Roberto

    2. luiz estrella
      Publicado em 29/10/2009

      Prezados Irs,
      é grato vermos a divulgação de informações valorosas sobre a bela história de nosso Querido Brasil, pena mesmo é não ver a divulgação de um grande Ir. que não só contribui para nossa história, como nossa Arte e ideais de liberdade, estou a falar do Ir. Antonio Francisco Lisboa, mais conhecido como Aleijadinho
      SFU
      Ir.Estrella

    3. eduardo
      Publicado em 11/11/2009

      adorei

    4. Publicado em 19/12/2009

      a segurança publica precisa de uma supervisão eficiente que atente para a comunidade mundial carente ,independente de clero raça e cor.

    5. caiubi
      Publicado em 11/01/2010

      E´um primor , antecipo um TFA, aos Ir.’.dessa
      Loja, certamente sera material de consulta e
      ensinamento aos mais novos e aqueles menos versado na nossa sublime instituição, que o G.’.A.’.D.’.U.’. a todos ilumine e guarde. Atenciosamente – Caiubi

    6. Emilio Souza Soares
      Publicado em 27/04/2010

      Sou Emilio Souza Soares, moro e resido na Cidade de Areia – PB;, sou Areense, pertenço a Loja Maçonica Professor Leonidas Santiago nº 16 da Grande Loja Maçonica do Estado da Paraiba. Temos em nossa Loja a Diploma do nosso Irmão Areense Pedro Americo de Figueiredo e Melo, conhecido mundialmente por Pedro Americo maior pintor brasileiro. Gostaria que algem me informasse quando e qual a Loja Ele iniciou na maçonaria, pois no seu diploma de maçom não consta esse dados.

      Um abraço.

    7. Derly Estrela
      Publicado em 22/06/2010

      Foi um conteúdo tão incrível que fiquei maravilhada, mergulhando fundo e vivenciando essa história da vida real tão rica de fatos imprecionantes. Como faço para obter contato com a LOJA MAÇÔNICA? Alguém me ajuda?!

    8. thallytha
      Publicado em 03/08/2010

      eu amei meu trabalho valendo 5,0 eu tirei 5,0 vcs sao demais obrigada gente eu amo justin bieber xauu kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    9. lorraine
      Publicado em 31/08/2010

      eu adorei o meu trabalho de escola vai ganhar 10

    10. Emílio Souza Soares
      Publicado em 21/08/2011

      Informações a todos que participam desta comunidade.

      Pedro Americo, é nosso conterraneo, filho da nossa querida terra, Areia – PB. Na casa onde Ele nasceu hoje é uma belissima biblioteca com seus belos quadros, logicamente com o do Grito do Ipiranga. Na nossa Loja temos o seu certificado de Mestre Maçom.

    11. Claudia
      Publicado em 04/11/2011

      Boa Tarde, esrou com um ploblema muito serio pra AJUDAR A MINHA FILHA FAZER UM TRABALHO ESCOLAR. o NOME DO TRABALHO É : “A CONFEDERAÇÃO E A MAÇONARIA. ”
      sÓ QUE EU NÃO ENCONTRO NADA COM ESTE TEMA E SEGUNDO A PROFESSORA DELA TEM QUE SER ESTE TEMA..
      jA ENCONTREI A CANFEDERAÇÃO MAÇONICA DO BRASIL, a INDEPENDENCIA E A MAÇONARIA…MAS, ESTE NÃO ENCONTRO ACHO QUE NÃO EXISTE O QUE EU QUERIA SABER SE VCS PODEM ME AJUDAR COM ESTE PROBLEMA…ACHO QUE A PROFESSORA DE HISTORIA PODE ESTAR COMENDO BOL.A..

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